O sopro livre
Muito antes do acordeon, instrumentos de palheta livre já faziam o ar cantar em várias partes do mundo. Era uma ideia simples e genial: uma lâmina de metal que vibra quando o ar passa por ela. Dali nasceram o órgão de boca e tantos parentes.
Quando o fole foi unido a essa palheta, o músico ganhou algo novo: o ar podia ser controlado com o braço, sem fôlego a esgotar. Esse foi o primeiro grande passo.
As primeiras patentes
No início do século XIX, oficinas europeias começaram a registrar modelos com fole, botões e acordes prontos. Eram instrumentos pequenos, feitos à mão, vendidos em feiras e tavernas.
Cada fabricante buscava um timbre próprio, e as palhetas eram afinadas uma a uma. Essa tradição de bancada continua viva em qualquer boa oficina.
Teclas e botões
Surgiram duas escolas: o teclado de piano, mais familiar a quem vinha da música erudita, e o de botões, mais compacto e ágil. As duas seguem lado a lado até hoje.
Os baixos também cresceram. Dos primeiros 8 baixos, de uso simples, chegou-se a modelos de 48, 80 e 120 baixos, com recursos para o repertório completo.
O acordeon no Brasil
Chegou com imigrantes e se misturou à vida do campo e da cidade. No Sul virou companheiro dos bailes, e no Nordeste ganhou a voz do forró, tocando pelas mãos de grandes mestres.
Hoje, o acordeon está em escolas de música, igrejas, restaurantes e rodas de amigos. Mesmo com a tecnologia, nada substitui o som de um fole bem cuidado respirando no colo do músico, e é por isso que o ofício de restaurar continua tão necessário.
Cuide do seu instrumento
Um acordeon bem afinado e revisado dura gerações. Guarde-o em lugar seco, evite sol direto e traga-o à oficina uma vez por ano para uma revisão simples.